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sábado, 30 de abril de 2011

saudades....


Esses últimos dias foram (e ainda estão sendo) muito tristes pra mim.... na quinta-feira tive uma recaída muito forte, quase enlouqueço de tanto chorar, me peguei com meus exames, com as únicas lembranças que me fazem ter certeza de que tudo realmente aconteceu, que realmente eu tive, mesmo que por pouco tempo, meu filhote junto à mim...
As pessoas acham que estou bem e sinceramente eu não consigo entender como elas acham isso... está na minha cara, me olho no espelho todos os dias, na esperança de ver outra coisa além do que consigo ver, mas não, eu estou lá, com a cara de quem está sofrendo, de quem está profundamente triste... ninguém vê isso, pelo contrário, me encaram e dizem: "vai passar, você é jovem, tem muito tempo pela frente".... pode até ser, embora eu não acredite muito nisso...
O "se" é uma coisa muito forte e muito presente neste momento de minha vida... "se" ele estivesse aqui, "se" eu soubesse que ia sofrer assim, "se", "se", "se".... tantas incertezas que nunca se tornarão concretas; tantas lágrimas e sofrimentos derramados seriam evitados "se" não tivesse acontecido esta tragédia....
E assim vou vivendo, dia após dia, na contagem dos anticoncepcionais tomados, me sentindo uma presidiária de mim mesma, esperando o dia da libertação, o dia que poderei recomeçar, o dia que poderei tentar novamente, sempre com a incerteza do "se" rondando minha vida...
Tem dias que nem quero levantar da cama, na realidade, nem queria acordar... ver mais um dia nascendo e constatar que minha barriga está vazia, que ninguém habita mais aquele ventre, que tudo está tão seco, oco.... às vezes acho que vou explodir, que não terei forças pra suportar algo tão inexplicável que é a tal saudade!!!
Tento me concentrar, me distrair com outros assuntos, meto a cara nos meus livros ou em cursos, na esperança de sentir novos ares, porém, sempre volto ao mesmo lugar, ao mundo da tristeza e dos "se".... e ao meu redor, um mundo cheio de grávidas, bebês, conversas de mãe, dúvidas de amigas que, por minha profissão, eu tenho mais que o dever de orientar na amamentação, nas melhores posturas para alimentar, nos primeiros balbucios, nas primeiras palavras...
O pior é que tenho que suprimir esta dor... não posso expressar que estou sofrendo, que sinto muita tristeza por tudo que me aconteceu... não tenho ninguém pra dividir esta dor que me sufoca, que me estrangula o peito, que me faz ter a sensação que sou uma bomba-relógio, prestes à explodir a qualquer momento... e, assim vou vivendo, lembrando em alguns momentos, chorando baixinho e escondida em outros, mas nunca esquecendo que "se" ele tivesse aqui, tudo seria diferente....

5 comentários:

Nanda disse...

Sei como é, Karla...
Também tive e até hoje tenho lembranças... choro pelo filho que perdi ainda na barriga! Afinal, ele era um sonho... Nao chegamos a conhecer sua carinha, nem vivenciamos juntos nada, mas nós, mães começamos a imaginar como 'será', do que gostará, o que iremos fazer...
Sabe, creio que esses momentos de tristeza sao momentos necessários, mas devem ser pontuais, amiga... Nao se aprofunde nessa dor... Tenta a transformar numa lembrança e a embale apenas em alguns momentos...
Como já te disse, até hoje, rezo pelo meu filho Pedro que deveria ter 15 anos. Lembro também que fiquei querendo engravidar logo depois, e nao era indicado, e nao foi possível... Mas, quando finalmente conheci meus dois outros filhos, percebo que nao era hora, nao era o momento, Deus sabe... Espero que você sinta isso tbm!
Fique bem, tá? Se precisar, dê um toque... tá?
Um beijo!

Betty Gaeta disse...

Oi querida,
Eu não sei o que realmente aconteceu e sequer posso dizer que sei o que vc está sentindo, pois nunca perdi um filho. Tenho só uma filha. Mas espero que o tempo abrande a sua dor.
Bjkas e um sábado maravilhoso para vc.

www.gosto-disto.com

Héstia disse...

Eu tbm sei o que vc está passando! Eu perdi dois e até hoje fico triste..imaginando como eles seriam. Mais os dias vão passando e vamos ficando fortes novamente! Eu escutei muito que Deus sabe o que faz então flor.. tenha força e fé que vai da tudo certo.
Beijos e fica com Deus

Clara disse...

ola butterfly, realmente deve ser uma dor lacinante, tenho três filhos cheios de saúde, nunca perdi nenhum e só de imaginar que pode acontecer fico mal, muito mal. Tudo o que posso dizer, não conhecendo a profundidade da sua dor é que não adianta nos deixar-mos ser arrastadas pela dor, suponho que nunca vá passar, mas vai melhorar e certamente. Um abraço

Esther disse...

Só quem já passou por isso sabe o tamanho da sua dor. Espero que vc consiga superar com muita força.
Obrigada pela visitinha ao blog. Também não conhecia o seu e prometo voltar sempre.
Fica com Deus.
Beijão!